quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Inconsciente Coletivo

Poesia pescada no ar
Verso-peixe de um poeta
Fisgado pela palavra
Cores oscilantes
Das escamas, das carpas!
Seiva morna cultivada
Dentro da própria casa
Nasço e morro todos os dias
Para escapar da rotina
Poesia pescada no ar
É metonímia!

Descanso

Lua do sorriso fino
Numa de suas hastes
Não caberia um passarinho
Lua que oscila tanto
E vê modificar ao sabor do tempo
Cada motivo e cada pranto

Hoje, lua magra
Amanhã, roliça
Quando uma nuvem passa, espessa,
Tudo é tão fugaz que instiga
O movimento mais veloz a parar

Lua fina que virou meia lua
Que esboçou meio sorriso
Que se tornou um ponto de luz
Quase uma estrela a se apagar

Lua fina que foi dormir atrás do morro
Enquanto eu - não mais uma criança -
Voltei a sonhar...

Teimosia

Tô comendo um pão de queijo
Mas deveria estar escrevendo
Meu dever-ser (kantiano) é a escrita.

Um dia, meu inconsciente me acordou dizendo:
"Escreva!" Tomei um susto, mas gostei!
Pronto. Escrevi.

Mas é triste saber que, às vezes, a preguiça é teia...

Assombro

Não há teto
Não há como!
Não há pano de fundo
Sem cenários, sem entornos
Meu escopo é viver

Cada vez mais tiro máscaras
Leio Jung
E esqueço absurdos
Faço festas - internas e externas -
Vibro à beça! Me atiro no escuro...
Todo mundo me lê.

Sei ser frágil
Sei ser forte
Sei também sorrir e sofrer

Mas o melhor de ser sempre foi escrever (o melhor do ser)!
E não escrevo quase nada sobre mim
Escrevo mais sobre "nós" e "você"

Não há teto
Não há como!
Não há pano de fundo
Sem cenários, sem entornos
Meu escopo é viver

Invisível

Ninguém vê o corpo?
Ninguém vê o corpo
Estendido no chão

Sentado ou curvo
Ajoelhado ou sujo
Pedindo ou mudo

Ninguém vê o corpo no chão!
Ninguém, ninguém...

Só vêem o copo cheio
O corpo bronzeado
O carro blindado
A carteira e o recheio

Mas ninguém vê o corpo estendido lá no meio

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ballet

EU E TU
TU E EU

E E E

POR ONDE
SE ESCONDEU?

EU EU EU

CADÊ, CADÊ TU?

TU
TU
TU...

NINGUÉM MAIS ATENDEU!

FOI TU?
FUI EU?
FUDEU!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Praxis

Beijos e compassos
Abraços
Órgãos acelerados
Emoção etérea
Vícios, brechas
O amor
Às vesperas

Dutos e redutos
Sulcos
Vermelhidão tardia
Um xis no mapa
Pulsos, taças
O rompimento
As cascas

Cada ser é só.
Um só!
E sempre só de palavras...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Desconstrução

Âncora
Ânsia
Não estava em seu lugar
À beira do vazio
Da precipitação
Sem palavras
Até sem lágrimas!?
Sem imaginação
Sem bater de palmas
Sem som
Parou de se impressionar
Ficou surpresa
Via de tudo
Mas não era a mesma
Cortes abertos sem dor
Linhas tênues
Sem amor de nenhuma espécie
Só sendo
Sem tempo para ser
Emoção e sentimento
Sem tempo
Sem tempo
Pêndulo

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Resumo feminino da mulher moderna

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Previsão

Como lidar com o vazio?
Como colher antes do plantio?

Quebre as barras de ferro
Já disse: quebre-as!
Enxergue a luz projetada nas sombras
E se dê tréguas
Mas não meça tudo
Seja sem réguas
Seja apenas
E não viva na superfície das histórias pequenas
Que te contaram um dia

Sorria, e pense no porvir
As migalhas se juntarão
Formarão unidade compacta
Uma massa iluminada
Vibração única a sentir
Expansão de todas as águas
Novo horizonte sem cegueiras
Nova visão sem barreiras
Vazio que não mais existirá
Completude humana universal:
Terras verdes, infinito pomar...
Sóis azuis, raro céu lunar

Quebre as barras de ferro
Já disse: quebre-as!
E enxergue através da íris do tempo:

Um só homem, um só mundo
Tudo, num só momento.