sábado, 30 de maio de 2009

Só seu

É bom saber de si
O que ninguém mais sabe
O que dói, o que vibra, o que arde...
O que alegra, o que comove, o que abate...
É bom saber de si
O que ninguém sabe!

Em 06/04/09

MuDaNçA

Os dias passam, mas não impressionam
Fronte pálida como a de um sonâmbulo
Que ao não ver sua própria sombra
Erra o ângulo, tropeça e cai.
Mas há também tombos macios!

E dentro dos mistérios, assombros
E no interior do vazio, encontros

Em 06/04/09

Desespécie

...Perfil enluarado
Céu negro
Quase tudo é escuridão
Só a lua, esse segredo
É ponto sombrio de luz
Na circunspecta imensidão

Daqui não há estrelas concretas
Nem astros, nem cores, nem civilização
A nuvem logo cobre a fronte pálida da lua:
Essa mal encoberta solidão...
Que ora acende, ora apaga
Ora se retrai, se insinua

Daqui não há como enxergar a perfeição terrestre
Não há lógica Inca, nem Maia
Tampouco se mensura a história que se escreve

Daqui, desse ângulo
Tudo mais se parece com um polígono
Um quadrado para ser mais exato
Um atestado para o desespero!

O mundo, que já foi um círculo
De tanto quicar ficou caduco
De tanto girar ficou tonto e mudo
Desgastou-se.

E desse ângulo não há como fugir pelas beiradas

Tudo é dor e destempero!
Dos correntes equívocos
Superlativos erros
Das lentes sujas e descartáveis
- desse mesmo ângulo -
Um novo céu
Agora todo branco...

Em 18/01/08

Despertar em Janeiro

Raios de Atenas!
Vozes seculares
(Seculum, seculorum)
Brios derretidos
Mãos sem frenagem
Oh! Passado, em sonho repasse
Nos alimente e dê coragem
Mas lembre-se de vendar bem os olhos
Com feltros dos mais negros
Que é para não se apagar de vergonha
Que é para não se curvar de medo
Pirâmides do Egito!
Pontes de Israel!
Iluministas, iluminadores, iluminados!
Evoque-mo-los todos
Que é para não pagarmos mais pecados
Sombras do Além
Alguém se agita num mausoléu
É triste, mas a fome que um tem hoje
Daria para alimentar todo o tropel
Suor sagrado de Antígona
Lágrimas de pedra do rei!

De fato, acabou-se a utopia...

ACORDEI.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dois dias

A lua estava lá, ontem

Tão bela, tão exatamente redonda

Hoje, desaluou...

Enegreceu o céu

Que não é mais seu

É tão só e cruelmente

Meu

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Poesia de Flávio Lemos

Cara colega poeta, permita-me uma linha ou duas sobre nós, os incomparáveis
Estranhas criaturas todos sabem, somos loucos busco em mim tu te procuras catamo-nos aos poucos escondemo-nos, arredios cada um em seu canto da estante enquanto mandam homens à lua nosso vôo é mais rasante



Flávio Lemos

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Seguro

Sotaque espanhol que reverbera
Da ponta do pé ao seu chapéu dourado

Ir para Espanha
Uma quimera?
Não, tratando-se de ir ao seu lado

Plaza de Cibeles
Passamos um tempo acordados

Lunes por la madrugada
Deito um pouco no seu colo
Depois ponho-me a comer doces
Enquanto você bebe chá amargo

Sotaque espanhol que reverbera pra todo lado...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Beleza Contínua

Sozinha corro
De um ponto a outro
O que quer que venha do tempo
Quero!
O que quiser o Universo
Eu quero!
O que sair de meus versos
Assim quero!

Nas reentrâncias berro
Nas subidas temo
Nas descidas ecos
Nas voltas acenos
Nas beiradas desertos
Nas retas venenos
Nas curvas loucos
Nas quinas caminhos...

De um ponto a outro
Sozinha corro...

E só me encontro mesmo quando

Sozinha caminho...

De um ponto a outro

Nas quinas espinhos

Nas curvas assopros

Nas retas espelhos

Nas beiradas gestos

Nas voltas lampejos

Nas descidas pregos

Nas subidas vento

Nas reentrâncias espero...

O quer que venha do tempo

Espero.

O que quiser o Universo

Eu espero.

O que sair de meus versos

Assim espero...

Beleza contínua de viver sempre – e calmamente – como quero

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Conclusão

Minhas papilas gustativas já não são mais as mesmas. Já não absorvem a seiva da sua saliva. Já não se molham na sua chegada. Já não amargam na sua partida.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pensamentos

Caminho contra minha lucidez
Esvaziando idéias
Procurando sombras...

Caminho indo
Volto pensando também

Prefiro um grande dia findo
Do que um outro que vem - e não sei -

Prefiro - hoje - saber mais sobre mim
Do que sobre o outro
O outro é mistério, fruta com casca
O outro também pode ser farsa
E eu sou a verdade - a minha verdade - semente esparsa
Procuro - agora - sempre ser
sem cascas