Cara colega poeta, permita-me uma linha ou duas sobre nós, os incomparáveis
Estranhas criaturas todos sabem, somos loucos busco em mim tu te procuras catamo-nos aos poucos escondemo-nos, arredios cada um em seu canto da estante enquanto mandam homens à lua nosso vôo é mais rasante
Flávio Lemos
segunda-feira, 18 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Seguro
Sotaque espanhol que reverbera
Da ponta do pé ao seu chapéu dourado
Ir para Espanha
Uma quimera?
Não, tratando-se de ir ao seu lado
Plaza de Cibeles
Passamos um tempo acordados
Lunes por la madrugada
Deito um pouco no seu colo
Depois ponho-me a comer doces
Enquanto você bebe chá amargo
Sotaque espanhol que reverbera pra todo lado...
Da ponta do pé ao seu chapéu dourado
Ir para Espanha
Uma quimera?
Não, tratando-se de ir ao seu lado
Plaza de Cibeles
Passamos um tempo acordados
Lunes por la madrugada
Deito um pouco no seu colo
Depois ponho-me a comer doces
Enquanto você bebe chá amargo
Sotaque espanhol que reverbera pra todo lado...
terça-feira, 14 de abril de 2009
Beleza Contínua
Sozinha corro
De um ponto a outro
O que quer que venha do tempo
Quero!
O que quiser o Universo
Eu quero!
O que sair de meus versos
Assim quero!
Nas reentrâncias berro
Nas subidas temo
Nas descidas ecos
Nas voltas acenos
Nas beiradas desertos
Nas retas venenos
Nas curvas loucos
Nas quinas caminhos...
De um ponto a outro
Sozinha corro...
E só me encontro mesmo quando
Sozinha caminho...
De um ponto a outro
Nas quinas espinhos
Nas curvas assopros
Nas retas espelhos
Nas beiradas gestos
Nas voltas lampejos
Nas descidas pregos
Nas subidas vento
Nas reentrâncias espero...
O quer que venha do tempo
Espero.
O que quiser o Universo
Eu espero.
O que sair de meus versos
Assim espero...
Beleza contínua de viver sempre – e calmamente – como quero
De um ponto a outro
O que quer que venha do tempo
Quero!
O que quiser o Universo
Eu quero!
O que sair de meus versos
Assim quero!
Nas reentrâncias berro
Nas subidas temo
Nas descidas ecos
Nas voltas acenos
Nas beiradas desertos
Nas retas venenos
Nas curvas loucos
Nas quinas caminhos...
De um ponto a outro
Sozinha corro...
E só me encontro mesmo quando
Sozinha caminho...
De um ponto a outro
Nas quinas espinhos
Nas curvas assopros
Nas retas espelhos
Nas beiradas gestos
Nas voltas lampejos
Nas descidas pregos
Nas subidas vento
Nas reentrâncias espero...
O quer que venha do tempo
Espero.
O que quiser o Universo
Eu espero.
O que sair de meus versos
Assim espero...
Beleza contínua de viver sempre – e calmamente – como quero
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Conclusão
Minhas papilas gustativas já não são mais as mesmas. Já não absorvem a seiva da sua saliva. Já não se molham na sua chegada. Já não amargam na sua partida.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Pensamentos
Caminho contra minha lucidez
Esvaziando idéias
Procurando sombras...
Caminho indo
Volto pensando também
Prefiro um grande dia findo
Do que um outro que vem - e não sei -
Prefiro - hoje - saber mais sobre mim
Do que sobre o outro
O outro é mistério, fruta com casca
O outro também pode ser farsa
E eu sou a verdade - a minha verdade - semente esparsa
Procuro - agora - sempre ser
sem cascas
Esvaziando idéias
Procurando sombras...
Caminho indo
Volto pensando também
Prefiro um grande dia findo
Do que um outro que vem - e não sei -
Prefiro - hoje - saber mais sobre mim
Do que sobre o outro
O outro é mistério, fruta com casca
O outro também pode ser farsa
E eu sou a verdade - a minha verdade - semente esparsa
Procuro - agora - sempre ser
sem cascas
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Hoje falarei de Libertação
Liberdade é poder partir
- Mesmo tarde -
É poder sentir
o que estava engessado, escondido
Liberdade é estar bem consigo
É estar só e feliz
É estar com e completo
É estar sem e completo também
Liberdade é dizer amém para os próprios pecados
E não somente enterrá-los
Liberdade é perdoar-se, doar-se a si mesmo
Liberdade é lampejo de inspiração
Liberdade é a profundidade do pensamento e da ação
É o próprio ato da criação humana: liberta, solta, como uma ave selvagem
É dar passagem...
Seja ao que for
Que entre novos amigos, planos, viagens, um novo amor!
O que importa é a liberdade
Liberdade é a coragem de assumir quem se é
Liberdade é livrar-se das máscaras
Liberdade é pura contemplação
São novos horizontes
Novas possibilidades
Liberdade também é arte
O que importa é a liberdade:
Deixar correr... Libertar-se das amarras...
Das correntes escravizantes da praxe, do dito, do anotado, do gravado, do piegas, do clichê, de algumas garras crueis da sociedade.
Liberdade é ler, pesquisar, escrever, falar o que se quer!
Por isso quero DIZER BEM ALTO: Libertem-se! Antes que seja tarde...
- Mesmo tarde -
É poder sentir
o que estava engessado, escondido
Liberdade é estar bem consigo
É estar só e feliz
É estar com e completo
É estar sem e completo também
Liberdade é dizer amém para os próprios pecados
E não somente enterrá-los
Liberdade é perdoar-se, doar-se a si mesmo
Liberdade é lampejo de inspiração
Liberdade é a profundidade do pensamento e da ação
É o próprio ato da criação humana: liberta, solta, como uma ave selvagem
É dar passagem...
Seja ao que for
Que entre novos amigos, planos, viagens, um novo amor!
O que importa é a liberdade
Liberdade é a coragem de assumir quem se é
Liberdade é livrar-se das máscaras
Liberdade é pura contemplação
São novos horizontes
Novas possibilidades
Liberdade também é arte
O que importa é a liberdade:
Deixar correr... Libertar-se das amarras...
Das correntes escravizantes da praxe, do dito, do anotado, do gravado, do piegas, do clichê, de algumas garras crueis da sociedade.
Liberdade é ler, pesquisar, escrever, falar o que se quer!
Por isso quero DIZER BEM ALTO: Libertem-se! Antes que seja tarde...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Memória desembestada
Lá em Pernambuco
O sotaque contagia
Foi assim comigo
É assim com quem visita
Não importa se é viagem longa
Ou se é curta a estadia
Não importa se tu tem resistência
Ou se tu força na cantoria
Só sei que o pernambuquês é quase uma nova língua
Mas não estou aqui para falar de falação
O que quero relembrar
É motivo de grande inspiração
Já ouvi muito repente
Cordel também já li
Já dancei frevo com uma pá de gente
Muitas ladeiras subi
Já comi carangueijo
Provei dudu, não esqueci
Tapioca com queijo
Suco de siriguela, cajá, sapoti
Já brinquei de almofadinha
- No Rio ninguém sabe o que é isso -
Já subi em árvore, chupei cana
Amei e fiz muitos amigos
Já dancei forró, arrastapé e baião
Já soltei peido de véia
Em muita festa de São João
Já trelei um bom bocado
Com meus chegados, primos e primas
Foi cada viagem massa
Itamaracá, Paudalho, Porto de Galinhas
Falando em família, o número deixa qualquer um abestalhado
É uma vó com nove filhos
Seus netos, seus agregados
São muitos entes queridos
que já dormem noutro telhado...
Hoje sei que o céu de Olinda
É sem dúvida o mais estrelado
Também sei que a rima é forte
Intensa e sequenciada
Mas se eu não fizer assim
Não farei cordel nem nada
Agora falando em Recife, cidade que nunca esqueci
Que carrega o peso leve
De um passado que já vivi
Foram muitas as risadas
Sonhos e meninices
Da minha cidade adotiva
Guardo tudo o que um dia disse:
"Recife, me acolheste e me ensinaste que a vida é pura e simples, a vida é arte!"
De todas essas reminiscências
É fácil dizer o que ficou para sempre guardado:
Saudade... e um restinho de sotaque, claro!
Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2009.
Michelle Lemos Kaplan
O sotaque contagia
Foi assim comigo
É assim com quem visita
Não importa se é viagem longa
Ou se é curta a estadia
Não importa se tu tem resistência
Ou se tu força na cantoria
Só sei que o pernambuquês é quase uma nova língua
Mas não estou aqui para falar de falação
O que quero relembrar
É motivo de grande inspiração
Já ouvi muito repente
Cordel também já li
Já dancei frevo com uma pá de gente
Muitas ladeiras subi
Já comi carangueijo
Provei dudu, não esqueci
Tapioca com queijo
Suco de siriguela, cajá, sapoti
Já brinquei de almofadinha
- No Rio ninguém sabe o que é isso -
Já subi em árvore, chupei cana
Amei e fiz muitos amigos
Já dancei forró, arrastapé e baião
Já soltei peido de véia
Em muita festa de São João
Já trelei um bom bocado
Com meus chegados, primos e primas
Foi cada viagem massa
Itamaracá, Paudalho, Porto de Galinhas
Falando em família, o número deixa qualquer um abestalhado
É uma vó com nove filhos
Seus netos, seus agregados
São muitos entes queridos
que já dormem noutro telhado...
Hoje sei que o céu de Olinda
É sem dúvida o mais estrelado
Também sei que a rima é forte
Intensa e sequenciada
Mas se eu não fizer assim
Não farei cordel nem nada
Agora falando em Recife, cidade que nunca esqueci
Que carrega o peso leve
De um passado que já vivi
Foram muitas as risadas
Sonhos e meninices
Da minha cidade adotiva
Guardo tudo o que um dia disse:
"Recife, me acolheste e me ensinaste que a vida é pura e simples, a vida é arte!"
De todas essas reminiscências
É fácil dizer o que ficou para sempre guardado:
Saudade... e um restinho de sotaque, claro!
Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2009.
Michelle Lemos Kaplan
Porta-retrato
A verdade é uma falácia
Tudo o que jurou querer para hoje
já não quer mais
Tudo o que negou querer para amanhã
é o que mais quer
Tudo o que disse ter feito ontem
Esqueceu...
Porque o contrário se esconde em cada afirmação
Porque a vítima é também algoz
A verdade anda de braço dado com a mentira
Sendo que dentro de cada verdade arde uma vida
E dentro de cada mentira uma ira
Procure sempre a verdade para viver mais
Independente das mentiras que nela habitam
Desinverta todas as falácias
E seja capaz de amar as sobras
Tudo o que jurou querer para hoje
já não quer mais
Tudo o que negou querer para amanhã
é o que mais quer
Tudo o que disse ter feito ontem
Esqueceu...
Porque o contrário se esconde em cada afirmação
Porque a vítima é também algoz
A verdade anda de braço dado com a mentira
Sendo que dentro de cada verdade arde uma vida
E dentro de cada mentira uma ira
Procure sempre a verdade para viver mais
Independente das mentiras que nela habitam
Desinverta todas as falácias
E seja capaz de amar as sobras
Elegia à Allegra
Allegra!
Mesmo à distância
Alegra-me tua existência
Allegra
Mesmo do frio
Alegra-me
com tua infância
Alegra-me porque nunca vi tanta lágrima
Alegra-me porque depois que cresci desaprendi
a vibrar de felicidade
e a cantar também
Tudo o que sei nesse infinito hoje
é chorar como criança
abandonada
Allegra, alegra-me!
Mais nada.
Em troca te darei, um dia, uma visita inesperada ao Canadá.
Mesmo à distância
Alegra-me tua existência
Allegra
Mesmo do frio
Alegra-me
com tua infância
Alegra-me porque nunca vi tanta lágrima
Alegra-me porque depois que cresci desaprendi
a vibrar de felicidade
e a cantar também
Tudo o que sei nesse infinito hoje
é chorar como criança
abandonada
Allegra, alegra-me!
Mais nada.
Em troca te darei, um dia, uma visita inesperada ao Canadá.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Criação
Escrever
Ver para crer?
Ler, ver, ter?
Verter idéias
sobre qualquer superfície
escrevo em pedras, papéis,
mãos, planícies...
Trafego entre o piegas
e um pedaço de damasco
invento sandices
escrevo
onde me perco
onde me acho
Tenho o que quero
Estou onde caibo
escrevo
mas não sei - exatamente - como faço
só sei que gosto
MLK, em 29 de janeiro de 2009
Ver para crer?
Ler, ver, ter?
Verter idéias
sobre qualquer superfície
escrevo em pedras, papéis,
mãos, planícies...
Trafego entre o piegas
e um pedaço de damasco
invento sandices
escrevo
onde me perco
onde me acho
Tenho o que quero
Estou onde caibo
escrevo
mas não sei - exatamente - como faço
só sei que gosto
MLK, em 29 de janeiro de 2009
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